59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Estudo epidemiológico de adolescentes vítimas de violência sexual atendidas em Serviço de referência

OBJETIVO

Analisar o perfil de adolescentes vítimas de VS atendidas em um hospital com programa institucional específico.

MÉTODOS

Estudo transversal e retrospectivo de vítimas de VS, do gênero feminino na faixa etária de 10 a 19 anos, atendidas entre 2001 e 2018 no Programa de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (PRAVIVIS) no Serviço de referência de um hospital universitário. Foram analisados 545 prontuários, mediante cálculos de números absolutos, percentuais, médias e desvios padrão.

RESULTADOS

A média das idades das vítimas foi de 14,1±2,5 anos, caracterizadas como brancas, com baixa escolaridade, menarca prévia à VS, não usuárias de método contraceptivo regular e em 18,5% dos casos não possuíam a necessária compreensão para o ato (déficit cognitivo, uso de bebida alcoólica ou drogas ilícitas no dia do ocorrido). Os encaminhamentos foram realizados principalmente pela Delegacia de Polícia, serviço público de saúde e Conselho Tutelar, e 51% das vítimas procuraram atendimento em até 72 horas. O principal tipo de VS consistiu em estupro de vulnerável, sendo a agressão vaginal consumada a mais preeminente, praticada por autor único e desconhecido, na própria residência da vítima. Dos casos de VS de repetição (22,6%), os principais autores foram o padrasto e o pai biológico. No atendimento inicial, 33,4% receberam anticoncepcional de emergência. Foram identificadas 26 gestações, sendo que em 50% houve desejo manifesto de continuidade. A média da idade gestacional foi de 15 semanas no momento do diagnóstico, demonstrando atraso na procura por atendimento médico de urgência e reduzindo a janela de oportunidades para o fornecimento de contracepção de emergência. Não havia registro de informação em 46,2% dos prontuários.

CONCLUSÕES

O presente estudo não só demonstra o percentual relevante de ausência de dados preenchidos em prontuário, reforçando a importância da narrativa adequada, a fim de evitar maior revitimização, mas também a perda de vínculo da vítima com o serviço. Nota-se a importância da discussão e da conscientização sobre o cenário da VS, associando à menor tolerância criminal e à educação sexual adequada. A complexidade da VS requer atendimento isento de julgamentos ou rotulações, participação de equipe multidisciplinar e rede de apoio que permita a minimização das possíveis consequências da violência.

PALAVRA CHAVE

Violência sexual; adolescente; estupro; desfecho.

Área

GINECOLOGIA - Epidemiologia

Autores

José Mauro Madi, Isadora Bastiani Biondo, Sônia Regina Cabral Madi, Gabriela Neuvald Pezzella, Caroline Maslonek, Rosa Maria Rahmi

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