59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

A pandemia de COVID-19 e o seguimento ambulatorial de vítimas de violência sexual

OBJETIVO

Analisar como as repercussões do contexto pandêmico e as medidas de enfrentamento ao SARS-CoV-2 afetaram o seguimento de mulheres vítimas de violência sexual assistidas em um serviço de referência

MÉTODOS

Análise qualitativa com caráter descritivo. Utilizou-se a entrevista semiestruturada e a observação simples. Para a complementaridade dos dados, foram realizadas pesquisa bibliográfica e documental. Adotou-se a análise de conteúdo da Bardin. Utilizou-se da amostra por conveniência, a qual resultou em 14 mulheres, e saturação de dados. Como critério de inclusão foram elencadas maiores de idade, atendidas pelo serviço entre março e novembro de 2020, comparecimento a pelo menos uma consulta e que aceitassem participar livremente. Foram excluídos pacientes do sexo masculino e menores

RESULTADOS

Em 2020, houve uma redução nos agendamentos (24%) e atendimentos (27%) em comparação com o mesmo período de 2019. Em relação à amostra, 64,28% tinha entre 19-39 anos, a maioria se autodeclarou parda (50%) e estar solteira (71%). Cerca de 36% tinha o ensino médio completo, mesmo percentual que estava desempregada. A renda familiar da maior parte estava entre dois e três salários-mínimos (36%), não recebiam benefícios sociais ou previdenciários (50%) e residiam em casa alugada (50%). A maioria não sabia da oferta do serviço e descobriu a partir do encaminhamento de amigas ou de órgão que procurou em primeira instância em decorrência do episódio de violência sexual. Sobre o contexto pandêmico e o seguimento ambulatorial, notou-se que muitas mencionaram a diminuição da oferta de transportes e também fizeram referência ao medo de sair de casa e se contaminarem. Um fator bastante reforçado pelas entrevistadas foi o risco econômico que a pandemia trouxe para a rotina, seja pelo desemprego formal ou pelo impedimento de realizar suas atividades autônomas. Nesse âmbito, a insegurança econômica foi citada como uma das justificativas recorrentes para não comparecer aos atendimentos. Questionou-se também sobre a compreensão e avaliação do atendimento multiprofissional e recebeu-se resposta positiva, validando o trabalho intersetorial desenvolvido no serviço

CONCLUSÕES

A violência é uma dinâmica em constante reformulação, em razão do contexto histórico. A diminuição da procura e aumento do absenteísmo foram ligados a medo de contaminação, dificuldade financeira e desconhecimento do serviço. Ações para aperfeiçoar a vigilância e a gestão da violência sexual devem ser uma parte essencial da luta contra a COVID-19

PALAVRA CHAVE

violência sexual; violência baseada em gênero; COVID-19;

Área

GINECOLOGIA - Sexualidade

Autores

LARA SILVA DE SOUSA, ANA KARLA BATISTA BEZERRA ZANELLA, JOSÉ ARMANDO PESSÔA NETO, ISABELA ARAGÃO COLARES, DÉBORA FERNANDES BRITTO

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