59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

Eclâmpsia e Sindrome HELLP em gestante com COVID 19: relato de caso

CONTEXTO

A COVID-19 tem risco aumentado de complicações e morte na gestação, representando atualmente a principal causa de morte materna no Brasil. A doença acarreta maior chance de desfechos gestacionais, perinatais e neonatais adversos. Relatamos aqui um caso raro de COVID-19 complicada por síndrome HELLP e eclâmpsia.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

M.G.G.S, 20 anos, Gesta II Para I (cesárea), com 35 semanas e 3 dias, chegou ao centro COVID-19 da maternidade de referência no dia 21.07.2021 com queixa de tosse seca há sete dias e febre persistente há cinco dias, sendo internada pela febre. Teste de Antígeno positivo e RT-PCR detectado para COVID-19; exame físico normal, exceto temperatura de 38,2ºC; plaquetas 85.000/mm3; PCR 24; TGO 146; TGP 114; DHL 637. Diagnosticada síndrome HELLP associada à COVID-19, foi iniciado sulfato de magnésio (MgSO4) e indicada a interrupção via cesariana em 22.07.2021, com RN vivo pré-termo, masculino, peso 2.322g e Apgar 9/9. Apresentou hemorragia pós-parto, recebendo ocitocina, ácido tranexâmico e misoprostol retal, com controle de sangramento. Após 8 horas, teve episódios de hipotensão e dessaturação, requerendo oxigênio sob cateter nasal 3L/min. Mesmo em uso de MgSO4, após 12 horas da cesariana apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada (eclâmpsia). Recebeu metade da dose de ataque do MgSO4, mantido por 24 horas. Quinze horas após cesárea, estava hipocorada (3+/4+), desidratada (2+/4+), PA: 100x60 mmHg; abdômen distendido, com sinais de irritação peritoneal e hemoglobina em queda. Na laparotomia, já em hemotransfusão, apresentou choque hipovolêmico e foi retirado grande volume de sangue do abdômen. Encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva em ventilação invasiva, recebeu infusão de cristaloides, enoxaparina profilática, hemotransfusão, antibioticoterapia e dexametasona por 10 dias. Feito desmame de oxigênio, evoluiu com melhora clínica e recebeu alta em 30.07.2021.

COMENTÁRIOS

O caso descrito é bastante relevante, não apenas porque a síndrome HELLP ocorreu em gestante com COVID-19 leve, porém com o critério de alerta de febre persistente, mas por sua evolução com eclâmpsia, hemorragia pós-parto, discrasia sanguínea e critérios de near miss. A associação da COVID-19 com as síndromes hipertensivas da gravidez já tem sido documentada e o risco de eclâmpsia e de síndrome HELLP chega a ser duas vezes maior. A atenção a grávidas e puérperas com COVID-19 deve ser cuidadosa com critérios rígidos de internação precoce para prevenir mortes maternas.

PALAVRA CHAVE

COVID-19; eclâmpsia; síndrome HELLP; gravidez; near miss; morte materna

Área

OBSTETRÍCIA - Gestação de Alto Risco

Autores

Paula de Carvalho Martins Fonseca, Thaise Villarim Oliveira, Mariana Moreira Macedo, Ionara Neves Bezerra, Leila Katz, Melania Maria Ramos Amorim

Adicione na sua agenda: AppleGoogleOffice 365OutlookOutlook.comYahoo