59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Perfil das vítimas de violência sexual e manejo no âmbito hospitalar

OBJETIVO

Conhecer o perfil clínico, sociodemográfico e características do atendimento das pacientes assistidas no programa de violência sexual (VS) de uma maternidade pública de São Paulo.

MÉTODOS

Estudo retrospectivo utilizando-se dados de prontuários de pacientes atendidas no programa de VS no período de janeiro de 2017 a dezembro de 2019. Os dados foram coletados dos registros contidos em prontuários após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Foram excluídos prontuários de pacientes atendidas por outras razões ginecológicas ou obstétricas não relacionadas a VS.

RESULTADOS

Foram incluídas 153 pacientes com idade média de 24,6 anos, sendo 45 (29,6%) abaixo de 18 anos. Destas, 64 (42,1%) eram da raça branca, 89 (58,5%) solteiras, 127 (83,5%) se declararam heterossexuais e 9 (5,9%) apresentavam déficit cognitivo. Em 16 casos (10,5%) ainda não haviam tido menarca e 32 (21,0%) não haviam referido sexarca antes do episódio da violência. Das 34 pacientes menores de 18 anos, 19 (56%) conheciam seu agressor. Sete (5%) mulheres relataram terem sido violentadas por seus companheiros atuais. Das 153 pacientes, 95 (62,1%) procuraram o primeiro atendimento pelo pronto socorro, 80 (52,3%) já estavam gestantes em decorrência da VS e 101 (66,0%) compareceram após 14 dias da ocorrência. Devido ao longo tempo para procura do serviço, apenas 46 (30%) receberam algum tipo de profilaxia (20% contracepção de emergência e profilaxia para HIV; 12% para hepatite B; 5% para tétano; 25% para doenças não virais). Das 80 gestantes, 72 (90%) não estavam fazendo uso de nenhum método contraceptivo e em 62 (77,5%) casos foi realizado abortamento legal. O número de consultas por paciente teve uma média de 4,19. Para mulheres não grávidas (64), 23 (36%) realizaram uma consulta única e 25 (39%) até 3 consultas. Para as pacientes grávidas com número de consultas relatado em prontuário (78), 28 (36%) pacientes fizeram acompanhamento por uma quantidade igual ou maior de 7 consultas; 18 (23%) realizaram 5 consultas e apenas 5 (6%) realizaram uma consulta única.

CONCLUSÕES

Ainda é baixa a procura por atendimento médico em decorrência de violência sexual. Em apenas 30% dos casos foi possível fazer algum tipo de profilaxia. Mais da metade da amostra (52,3%) compareceu ao primeiro atendimento já gestante. Dentre as mais jovens (menores de 18 anos), a maioria (56%) sofreu VS por parte de agressor conhecido. Observou-se baixa adesão ao seguimento principalmente em casos de não gestantes.

PALAVRA CHAVE

Violência sexual, aborto legal, epidemiologia

Área

GINECOLOGIA - Epidemiologia

Autores

Beatriz Poço Machado, Caio Cesar Medina, Susane Mei Hwang

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