59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Análise dos partos em diferentes períodos em um hospital de referência regional para alto risco

OBJETIVO

Descrever, analisar e comparar os partos ocorridos durante dois períodos distintos em um hospital público de referência obstétrica para alto risco no Rio Grande do Sul. Entre 2017 e 2018, os partos no centro obstétrico de referência para risco habitual na região deste estudo foram suspensos, enquanto, entre 2020 e 2021, instalou-se a pandemia de COVID-19. Este levantamento de dados permite estabelecer o provável impacto desses fatores externos ao serviço.

MÉTODOS

Estudo transversal baseado em entrevistas e/ou análise dos prontuários das parturientes atendidas nesse hospital no período 1, de janeiro de 2017 a junho de 2018 (N=3.156), e no período 2, de janeiro de 2020 a janeiro de 2021 (N=1.185). Foram obtidos dados sobre trabalho de parto, via de parto, complicações, nascimento pré-termo, índice de Apgar do neonato e internação em UTI neonatal. As variáveis foram submetidas à análise descritiva e associação verificada pelo teste qui-quadrado, com nível de significância 5% (p<0,05).

RESULTADOS

Comparando os períodos estudados, percebe-se que, no período 1, houve uma maior frequência de gestantes que entraram espontaneamente em trabalho de parto (p<0,0001) e, no período 2, uma maior frequência de nascimentos em que a gestante não entrou em trabalho de parto (p<0,0001). A frequência de partos cesáreos aumentou de 51 para 61,7% (p<0,0001). Em relação às características do parto, observou-se redução dos partos vaginais com episiotomia, de 10,8 para 1,9% do total de partos (p<0,0001), e das cesarianas com trabalho de parto, de 17,1 para 7.6% (p<0,0001). Quanto aos recém-nascidos, houve um acréscimo na taxa de prematuridade (p<0,001), no peso <2500 g (p=0,004), maior frequência de Apgar <7 (p=0,001) e maior taxa de complicações neonatais (p=0,05) e internações em UTI neonatal (p=0,002).

CONCLUSÕES

Os dados mostram maior frequência de cesáreas e complicações perinatais no período 2, relacionando-se com o contexto do hospital, em que no período 1 compreendeu maior número de partos de risco habitual, enquanto no período 2 voltou a atender preferentemente a demanda de partos de maior risco, devido a reabertura do centro obstétrico de referência em partos de risco habitual da região. Por outro lado, a redução dos partos com episiotomia mostram os efeitos positivos do processo contínuo de humanização do parto na instituição. Outro fato considerável são as limitações que a pandemia impôs aos serviços de saúde no período 2.

PALAVRA CHAVE

OBSTETRÍCIA, PARTO, UNIDADE HOSPITALAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

Área

OBSTETRÍCIA - Obstetrícia Geral

Autores

Julia Trentini, Rubens Silva Ramos, Gustavo Lemos Souza, Eloisa Piano Cerutti, Vitória Avila Camerino, Ana Luíza Kolling Konopka, Cristine Kolling Konopka

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