59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Avaliação da violência doméstica em serviço de atenção pré-natal e pós-parto

OBJETIVO

Avaliar a prevalência, tipos de violência doméstica e grau de parentesco dos agressores entre mulheres no pré-natal e período pós-parto, e se houve diferença antes e durante a pandemia do covid-19.

MÉTODOS

Estudo transversal, amostra probabilística, incluídas mulheres que frequentam ambulatórios de pré-natal e revisão pós-parto de hospital universitário do Sistema Único de Saúde. Foram empregados questionários validados: Abuse Assessment Screen (AAS); Woman Abuse Screening Tool (WAST); Hurt, Insulted, Threatened with Harm and Screamed (HITS). Dois períodos da coleta: antes e durante a pandemia foram comparados. Os dados foram analisados usando estatística descritiva e análise bivariada. O nível de significância adotado foi de 5%.

RESULTADOS

Entrevistamos 500 mulheres, 87% gestantes e 13% no período do pós-parto. Foram 183 entrevistas antes e 317 durante a pandemia. A média de idade foi 26.8 anos (± 8.7 DP), 64.4% não tinham trabalho remunerado e 92.8% tinham parceiro. Entre as entrevistadas, 104 (20.8%) relataram experiências de violência física ou emocional ao longo da vida, 28 (5.6%) sofreram violência física nos últimos 12 meses e 13 (2.6%) referiram episódio de violência na gravidez. Entre as que vivenciaram violência física foram identificados como agressores: cônjuge (42.9%), ex-parceiro (28.6%), namorado (10.7%) e outro familiar/conhecido (21.4%). Apresentar antecedentes de violência (p<0.001) e ter parceiro (0.043) foram variáveis associadas a violência física nos últimos 12 meses. Os questionários HITS e WAST mostraram que 17 (3.4%) relataram violência doméstica e 30 (6.5%) violência por parceiro íntimo. Foram mais acometidas mulheres não brancas (p=0.019), sem trabalho remunerado (p=0.038) e com antecedentes de violência física ou emocional ao longo da vida (p<0.001). A comparação entre os dois períodos de coleta, mostrou que a exposição à violência doméstica foi mais frequente antes da pandemia (p<0.001).

CONCLUSÕES

Mulheres não brancas, com antecedentes de violência e sem trabalho remunerado apresentaram maior exposição à violência doméstica. Os episódios de violência física tiveram como principais agressores os parceiros íntimos. Nesta amostra não houve aumento dos episódios durante a pandemia. Os serviços de atenção pré-natal e pós-parto podem contribuir na identificação, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência independente de estarmos ou não em tempos de crise como a pandemia.

PALAVRA CHAVE

violência doméstica, gestação, puerpério

Área

OBSTETRÍCIA - Multidisciplinar

Autores

Odette del Risco Sánchez, Erika Zambrano Tanaka, Amanda Dantas Silva, Mariana Kerche Bonás, Isabella Grieger, Fernanda Garanhani Surita

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