59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Persistência do seio urogenital em paciente adulta e suas repercussões clínicas no diagnóstico tardio: relato de caso

CONTEXTO

Durante o desenvolvimento embrionário, o seio urogenital forma um canal comum, no qual desembocam os tratos urinário e genital, antes de serem separados pela migração dos ductos de Müller. O seio urogenital origina a bexiga, uretra, glândulas de Bartholin, uretrais e de Skene, assim como parte inferior da vagina, enquanto os ductos de Müller se fundem formando o canal uterovaginal, que dá origem às trompas, útero e terço superior da vagina. Falhas nesse processo resultam em malformações Müllerianas, como no útero didelfo, resultante da falha na fusão do par de ductos de Müller, culminando em dois cornos uterinos separados, cada qual com sua cavidade endometrial e colo uterino. Além disso, quando ocorre parada no desenvolvimento dos ductos de Müller após fusão com seio urogenital, temos a persistência deste seio, formando um único canal, no qual desemboca uretra e vagina.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

A.R.S., passado de infecção do trato urinário de repetição na infância, evoluindo com exclusão renal aos 7 anos, necessitando de nefrectomia esquerda. Apresentou incontinência urinária até os 11 anos, com resolução espontânea, e dor pélvica cíclica progressiva no menacme, sugestiva de criptomenorreia, além de doença renal crônica. Diagnosticado hematométrio e útero didelfo aos 13 anos, sendo submetida a histerectomia total e ressecção parcial da vagina. Procurou atendimento aos 20 anos, por incapacidade de manutenção de relação sexual, apresentando ao exame físico dilatação de uretra e agenesia total de vagina, compatível com Síndrome do Seio Urogenital. Optou-se por confecção de neovagina pela técnica de McIndoe, devido ao risco de prejuízo à continência urinária na divisão do seio urogenital em uretra e vagina. Evoluiu mantendo relações sexuais satisfatórias, apresentando incontinência urinária apenas durante coito.

COMENTÁRIOS

A persistência do seio urogenital acomete 6 em cada 100.000 mulheres, e pode ser um diagnóstico desafiador, por se tratar de um evento complexo e raro, principalmente quando a paciente apresenta genitália externa de aspecto normal e orifício anal normalmente posicionado. O exame clínico do períneo torna-se imprescindível, pois o achado de um único orifício no introito é patognomônico desta síndrome e o diagnóstico precoce resulta em melhores resultados de tratamento. A conduta consiste em separar a uretra da vagina, com objetivo de recuperar suas funções, evitando desfechos clínicos desfavoráveis e perda na qualidade de vida a longo prazo.

PALAVRA CHAVE

Seio urogenital. Neovagina. Útero didelfo. Malformação Mülleriana.

Área

GINECOLOGIA - Uroginecologia

Autores

Maria Clara Araújo Marques, Annita Martins Rocha Torres, Raissa Gracio Teixeira, Mônica Breta Motta, Rafaela Karina de Oliveira Tinôco, Anna Terra de Melo, Juliana Barbosa Teixeira

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