59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


TÍTULO

PIELONEFRITE COMPLICADA EM PUÉRPERA: UM RELATO DE CASO

CONTEXTO

Durante a gravidez ocorrem diversas alterações fisiológicas no organismo, incluindo a dilatação do sistema pielocalicial e diminuição do peristaltismo ureteral, que continuam até o final do 2° mês do puerpério. Além disso, o trauma após o parto leva a uma hipotonicidade vesical, e todos esses fatores contribuem para a predisposição de infecção urinária. A Pielonefrite Complicada(PC) é uma infecção renal sintomática grave, decorrente da ascensão, principalmente, da Escherichia coli, que leva a um amplo espectro de apresentações clínicas e, se não tratada, pode aumentar a mortalidade materna.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

Mulher, 21 anos, G1C1, previamente hígida. No 27º dia de puerpério apresenta dor lombar de forte intensidade irradiada para abdome e urina fétida escurecida com 5 dias de evolução. Ao exame, taquicárdica, hipocorada, afebril, com dor a palpação epigástrica e em hipocôndrio direito (D), sem sinais de peritonite. Apresentava função renal preservada, leucocitose com desvio, leucocitúria, hematúria, nitrito e urocultura negativos.
Internada com suspeita de pielonefrite e iniciado Ceftriaxona. Durante o internamento evoluiu com febre, pico hipertensivo, disúria, Giordano positivo a D, piora da dor em hipocôndrio D com defesa abdominal. Além disso, progrediu com anemia, elevação de FA, gama GT, TGO, TGP e PCR. Foram realizados ultrassom e colangioressonância onde se evidenciou derrame pleural bilateral, vesícula biliar espessadas sem evidências de cálculos, presença de líquido livre, dilatação do sistema pielocalicial de rim D, com importante borramento perirrenal e periureteral, além de abscesso em polo inferior (27X22mm). Portanto, uma PC com abscesso renal, colecistite acalculosa e derrame pleural. Assim, à ceftriaxona, foi acrescentado Metronidazol. A paciente obteve boa evolução clínica e no 14°dia de internamento recebeu alta com continuação do tratamento em casa com Ciprofloxacino e Metronidazol.

COMENTÁRIOS

A PC pode evoluir com abcesso renal, HAS secundária, anemia e falência renal. 20% dos pacientes fazem bacteremia, podendo levar ao choque séptico. No caso relatado, a paciente evolui com um colecistite, afecção facilitada no puerpério pela lentificação do esvaziamento biliar. O abscesso renal geralmente responde ao antimicrobiano se possuir diâmetro até 3cm, como foi visto com a boa evolução da paciente. Quando possui tamanho maior, a drenagem percutânea é necessária, e se a terapia é insuficiente pode ser preciso abordagem cirúrgica.

PALAVRA CHAVE

Pielonefrite complicada; Puérpera; Infecção renal;

Área

OBSTETRÍCIA - Doenças Infecciosas

Autores

Caroline de Deos Simanke, Beatriz Carolina Schuta Bodanese, Catherine Potrich Cotta, Álisson Carvalho de Freitas, Heloisa Porath, Diego Esteves dos Santos

Adicione na sua agenda: AppleGoogleOffice 365OutlookOutlook.comYahoo