59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

Dados do Trabalho


TÍTULO

Rotura Uterina de Diagnóstico Tardio em Parto Normal Após Cesárea Prévia: Um Relato de Caso

CONTEXTO

A rotura uterina (RU) é uma emergência obstétrica definida como a perda de continuidade de todas as camadas uterinas, cuja incidência após parto cesárea (PC) prévio é 0,3%, com alta morbimortalidade materno-fetal e mortalidade perinatal variando de 5-26%.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

Em 30/10/20, às 22h, foi admitida em Maternidade de risco habitual parturiente de 28 anos, IG 39s4d, G4P3C1A0, cesárea (PC) em 2007, parto vaginal (PV) em 2018. A gestante tinha perda de líquido claro, colo dilatado 2cm, feto cefálico, dinâmica uterina frustra e boa vitalidade fetal. Indicada ocitocina para estímulo ao trabalho de parto (TP), analgesia contínua às 9h30 de 31/10/20 e às 13h27 realizado PV vácuo assistido com EMLD, para abreviação do período expulsivo, pois o feto apresentava taquicardia persistente. Nascimento de RN com 3875g, 54cm, Apgar:0/0/3/4. Placenta sem sinais de retenção ou descolamento. Paciente recebe alta 24h após o PV, assintomática. 72 horas depois, a mesma retorna com dor em fossa ilíaca direita (FID) há 10h, contínua, sem melhora com analgésicos. Negava queixas gastrointestinais, geniturinárias ou febre. 
Apresentava-se em BEG, 140bpm, PA120x80mmhg, abdome globoso, distendido, descompressão brusca difusa, especialmente em FID. Exame ginecológico normal exceto pela dor à palpação de FSV. Exames laboratoriais: Hb10,4; Ht33, GB19400 leucócitos/ml. Tomografia (TC) sugerindo apendicite aguda. Indicada laparotomia exploradora. No intraoperatório observou-se grande quantidade de coágulos com rotura uterina (RU) de 8cm de extensão em região de segmento e apendicite grau 1. Realizada rafia da RU e apendicectomia. Paciente recebeu alta 3 dias após cirurgia, em bom estado geral. RN evoluiu com encefalopatia hipóxico-isquêmica grave.

COMENTÁRIOS

No intraparto suspeita-se de RU quando há instabilidade hemodinâmica, dor abdominal súbita, subida da apresentação fetal, sangramento vaginal, hematúria ou alterações nas contrações. A dor relacionada à RU pode ser mascarada pela analgesia para o controle da dor do parto. Tem maior incidência se houver indução em relação à evolução espontânea de TP. Os fatores de risco para RU após uma cesariana são histerotomia vertical e indução do parto, especialmente com prostaglandinas. O uso de ocitocina em mulheres com PC anterior é considerado aceitável apesar do aumento no risco de RU em 1,1%. Para indução do TP em pacientes com PC anterior a vigilância durante o segundo período deverá ser intensa e a revisão do segmento uterino após o PV torna-se mandatória.

PALAVRA CHAVE

Rotura uterina;

Área

OBSTETRÍCIA - Obstetrícia Geral

Autores

Giovanna Guardia Cartolano, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Yasmin Rajab, Clara Martinuze Martins, Thainá Portilho Martins, Marília Veccechi Bijos Zaccaro, Silvana Maria Quintana

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