59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Mortes maternas por COVID-19 no Brasil: aumento alarmante na segunda onda da pandemia

OBJETIVO

Comparar as taxas de mortalidade por síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) devido à COVID-19 entre gestantes e puérperas (grupo obstétrico) e mulheres não gestantes (grupo não obstétrico) durante a primeira e segunda ondas da pandemia no Brasil.

MÉTODOS

Estudo transversal com dados de base populacional do Sistema Brasileiro de Vigilância da SDRA (SIVEP-Gripe) de dois períodos: fevereiro a dezembro de 2020 (primeira onda) e janeiro a junho de 2021 (segunda onda). Foram incluídas mulheres de 15 a 49 anos de idade com SDRA por COVID-19, e com ou sem comorbidades. Foram estudadas 47.768 mulheres do período de 2020 (4.853 obstétricas vs. 42.915 não obstétricas) e 66.689 mulheres do período de 2021 (5.208 obstétricas vs. 61.481 não obstétricas). Foi calculada a taxa de óbito hospitalar destes dois grupos e comparando-os, de acordo com a presença de comorbidade. Foi estimada a Razão de Mortalidade Materna (RMM) por período e por estado brasileiro, considerando o número de nascidos vivos no ano de 2019. Os dados foram analisados pelo Odds ratio (OR) com intervalo de confiança de 95% (IC) e pelo teste T de Student, assumindo nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Foram identificados 377 óbitos maternos em 2020 (período de 10 meses) e 804 óbitos em 2021 (período de seis meses). O aumento na RMM foi observado na maioria dos estados brasileiros, com destaque para o Amazonas. No geral, a taxa de mortalidade por COVID-19 para o grupo obstétrico aumentou 2,0 vezes de 2020 para 2021 (7,7% para 15,4%) e 1,6 vezes para o grupo não obstétrico (13,9% para 22,9%). Considerando as mulheres com comorbidades, a taxa de mortalidade para o grupo obstétrico aumentou 1,7 vezes (13,3% para 23,3%) e 1,4 vezes (22,8% para 31,4%) para o grupo não obstétrico. Nas mulheres sem comorbidades, as taxas per si e o incremento nos dois períodos, foram maiores para as não obstétricas (2,4 vezes; 6,6% a 15,7%) do que para as obstétricas (1,8 vezes; 5,5% a 10,1%).

CONCLUSÕES

Houve um aumento alarmante nas taxas de mortalidade de mulheres durante a segunda onda da pandemia brasileira de COVID-19, principalmente para as gestantes com comorbidades, coincidindo com o surgimento da variante P.1 da SARS-Cov-2..

PALAVRA CHAVE

COVID-19; SARS-CoV-2; coronavirus; gravidez; síndrome do desconforto respiratório agudo; morte materna.

Área

OBSTETRÍCIA - Epidemiologia

Autores

Carlos André Scheler, Michelle Garcia Discacciati, Diama Bhadra Vale, Giuliane Jesus Lajos, Fernanda Surita, Julio Cesar Teixeia

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