59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

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Dados do Trabalho


TÍTULO

Gestação após transplante pulmonar bilateral com menos de seis meses de evolução

CONTEXTO

O transplante de órgão sólido apresenta desfechos cada vez mais satisfatórios entre os pacientes. Com a melhora na qualidade e o aumento da expectativa de vida, tornou-se mais comum que mulheres transplantadas optem por gestar. Sugere-se que a paciente esteja clinicamente estável, com função do enxerto adequada, sem episódios de rejeição, em uso de medicação imunossupressora com doses estáveis e sem infecções agudas em tratamento no momento da concepção. Em relação ao transplante pulmonar, faltam dados na literatura que corroboram o melhor manejo durante a gestação, momento de interrupção e via de parto, especialmente com um intervalo curto entre o transplante e a gestação.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

Paciente com pneumonite hipersensibilizante crônica, sem causa definida, oligossintomática e com pneumopatia avançada, candidata a transplante desde os 16 anos. Foi submetida a transplante pulmonar bilateral aos 18 anos e engravidou cinco meses após. Estava em uso de tacrolimus, azatioprina e prednisona para imunossupressão. Manteve acompanhamento no pré-natal de alto risco e permaneceu estável do ponto de vista pulmonar durante a gestação. Foi identificada restrição de crescimento fetal (percentil dois), sem alterações de doppler fetal. Com idade gestacional de 38 semanas entrou em trabalho de parto espontâneo, evoluindo para parto vaginal com episiotomia indicada por exaustão materna. O recém nascido pesou 2510 gramas e teve APGAR 8/10. Paciente não apresentou complicações puerperais e pulmonares.

COMENTÁRIOS

A maioria das gestações após transplante de órgão sólido tem desfecho bem sucedido. Há risco aumentado de doenças hipertensivas, restrição de crescimento intrauterino e parto pré-termo, além de rejeição aguda do enxerto. As drogas imunossupressoras devem ser mantidas e seus níveis séricos monitorizados pela hemodiluição fisiológica da gestação. Apesar do caso bem sucedido relatado, pacientes com desejo gestacional após transplante de órgão sólido precisam ser orientadas quanto aos riscos maternos e fetais. A expectativa de vida após transplante pulmonar é em média de 6,5 a 7,5 anos. Um recém nascido prematuro pode exigir cuidados intensos e, mesmo uma criança saudável, exige um planejamento a longo prazo. Mulheres em idade fértil candidatas a transplante devem receber orientações de métodos contraceptivos eficazes e seguros. Aquelas que mantiverem o desejo de gestar devem ser orientadas sobre o melhor momento da concepção e manter acompanhamento multidisciplinar e em pré-natal de alto risco.

PALAVRA CHAVE

transplante pulmonar; transplante e gestação

Área

OBSTETRÍCIA - Gestação de Alto Risco

Autores

Cecilia Susin Osório, Thais Vicentine Xavier, José Antonio de Azevedo Magalhães

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